Review: Machine Head - Bloodstone & Diamonds (2014)


O heavy metal é um gênero que explora a emoção intensa de um jeito muito único, não é só barulho de maluco. Parece uma coisa óbvia de dizer, mas mesmo em 2020 tem gente que ainda enxerga o metal do jeito inverso que eu acabei de descrever. Felizmente, nosso review vem para provar o meu ponto! Foi deveras aleatório revisitar o "Bloodstone & Diamonds" do Machine Head. Apesar disso, deu para sentir que anos após o lançamento, o álbum continua bom, bonito e atual.


O melhor álbum do Machine Head?

Pelo menos é o meu favorito, e um dos pontos altos na carreira da banda. "Bloodstone & Diamonds" é pesado, honesto e cheio de emoções. As 12 músicas somam 1h11min, então aperte os cintos para uma viagem interessante. Trata-se de um álbum esquisito, que é ao mesmo tempo pesado, bruto, porém melodioso de um jeito muito catártico. É uma experiência que te deixa mais leve, de verdade.


A excelência na sua melhor forma


Tudo nesse álbum é excelente. Sempre que eu ouço um baixo direitinho, um álbum me cativa 50%.

As guitarras são a parte mais experimental do álbum, e muitas vezes elas fazem você esquecer que o Machine Head é uma banda também de thrash metal. Elas têm ritmo e dão um soco na sua cara, é bem diferente. A bateria empolga em todos os momentos, até por sair de cena na hora exata. O álbum ainda usa teclados, orquestrações, que dão um tempero todo especial ao conjunto da ópera.


Robb Flynn, o MVP do álbum

Os músicos do Machine Head estão impecáveis, e isso inclui o guitarrista Robb Flynn. Mas quando a gente fala do Flynn vocalista, não tem como dizer "que performance f*da". O norte-americano tem uma voz muito peculiar: ela é rasgada, carregado de raiva e energia, e ao mesmo tempo tem tanta harmonia e emoção que é diferente.

Robb Flynn canta com muito punch e sentimento. São dois lados de uma moeda que parecem não casar, mas eles combinam perfeitamente. Mesmo nas músicas/passagens lentas, o vocalista não desaponta, ao contrário. Ele incorpora um jeito mais triste, sombrio e melancólico, que fica dentro do contexto que o álbum aborda.


Temas "antigos" e tão atuais


"Bloodstone & Diamonds" mergulha de cabeça em temas políticos e sociais, em especial agitação civil, insatisfação e injustiça, muitas vezes com conclusões violentas. Embora clichês, são temas os quais não saem de moda, ainda mais nos EUA. "In Comes the Flood" parece letra escrita em 2020, não? Pois foi em 2014.

E você sabia? O álbum também tem easter eggs. "Killers and Kings" faz referências bem inteligentes ao universo do tarot. "Imaginal Cells" tem trechos do livro "The Biology of Belief and Spontaneous Evolution" narrados pelo próprio autor, o Dr. Bruce Lipton.

"Night of Long Knives" é o HMMM do álbum. A música tem o mesmo nome do expurgo promovido na Alemanha nazista entre 30 de junho e 1 de julho de 1934, mas o tema é Charles Manson. Fundador do grupo que cometeu vários assassinatos no final dos aos 60 os Estados Unidos, o mais famoso foi o da esposa do diretor de cinema Roman Polanski, Sharon Tate.


Destaques

"Now We Die"

"Night of Long Knives"

"In Comes the Flood"

"Damage Inside"


O que você vai encontrar em "Bloodstone & Diamonds"?

- Energia de sobra para cantar e bater cabeça
- Letras bem escritas e atuais
- Som pesado, coeso e muito bem produzido
- Uma das (se não a melhor) performances do vocalista Robb Flynn
- Um Machine Head corajoso em fugir dos rótulos e testar ideias novas

O Machine Head (do álbum) é

Robb Flynn – vocais, guitarra, teclados, (faixas 1, 3, 5, 8), arranjo de cordas (1, 5, 8), percussão (5)
Phil Demmel – guitarra principal
Jared MacEachern – baixo, backing vocal
Dave McClain – bateria


Ouça Bloodstone & Diamonds

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